DISTINÇÃO ENTRE O PAI E O FILHO
Tertuliano mostrou que as Escrituras
faziam uma nítida distinção entre o Pai e o Filho. Depois de citar 1 Coríntios
15:27, 28, argumentou: “Aquele que sujeitou (todas as coisas), e Aquele a quem
foram sujeitas — necessariamente têm de ser dois Seres diferentes.” Tertuliano
chamou atenção para as próprias palavras de Jesus: “O Pai é maior do que eu.”
(João 14:28) Usando partes das Escrituras Hebraicas, tais como o Salmo 8:5, ele
mostrou como a Bíblia descreve a “inferioridade” do Filho. “De modo que o Pai é
diferente do Filho, sendo maior do que o Filho”, concluiu Tertuliano. “Visto
que Aquele que gera é um, e Aquele que é gerado é outro; também Aquele que
envia é um, e Aquele que é enviado é outro; e, de novo, Aquele que faz é um, e
Aquele por meio de quem a coisa é feita é outro.”
Quem foi Tertuliano?.
Tertuliano
foi um prolífico autor das primeiras fases do Cristianismo, nascido em Cartago
na província romana da África. Ele foi o primeiro autor cristão a produzir uma
obra literária em latim.
Tertuliano, nasceu em Cartago por volta
de 150 e 155 d.C., filho de família pagã abastada. Estudou Direito e exerceu a
profissão em Roma. Tinha o domínio da língua grega e possuía grande erudição em
filosofia e história. Entre os anos 190 e 195 d.C. converteu-se ao cristianismo
provavelmente em Roma, e passou a dedicar-se ao estudo da literatura cristã,
tanto ortodoxa quanto herética. Pouco tempo depois voltou a Cartago, onde foi
ordenado presbítero e lá viveu até a sua morte que ocorreu entre os anos 222 e
225 d.C. Tertuliano esteve vinculado à Igreja de Roma, no período em que houve
uma grande perseguição contra os cristãos movida pelo Imperador Sétimo Severo
no Norte da África, em 202 d.C. que reacendeu o puritanismo natural em
Tertuliano, levando-o a simpatizar-se com o montanismo. O que mais chamava à
atenção neste movimento eram os seus aspectos ascético e anti-mundanos.
Em torno do ano 200 d.C. Tertuliano
rompeu com a Igreja Católica, passando a criticá-la veemente, em reiterados
protestos.
Entre 197 e 220 d.C, Tertuliano,
dedicou-se a carreira literária de defesa e explicação do cristianismo. Foi o
primeiro escritor eclesiástico mais importante da língua latina. Seu estilo era
muito bom de ler, porque a sua escrita era vívida, satírica e fácil de ler-se.
Seu método era muito parecido com o de um advogado expondo em um tribunal. O
intenso fervor espiritual que demonstrava tornava-o sempre admirável o que
escrevia. Foi intitulado de o pai da teologia latina.
Tertuliano, não era um teólogo
especulativo. Seu pensamento se baseava no dos apologistas como Irineu e também
no de guardiães da tradição da Ásia Menor, tanto as ideias estóicas como os
conceitos jurídicos. Dava o sentido de ordem e de autoridade o que era peculiar
aos romanos. Todos os assuntos que escrevia eram formulados com clareza e
definição peculiar à mente jurídica. Por esse motivo ele foi considerado mais
do que qualquer outro escritor anterior, emprestando precisão a muitos
conceitos teológicos até então pouco compreendidos.
Para Tertuliano, o cristianismo era uma
grande loucura divina, porque era mais sábio do que a sabedoria filosófica
humana, difícil de ser equacionado por qualquer sistema filosófico. Para ele o
cristianismo consistia no conhecimento de Deus. Com base na razão e na
autoridade que está sediada na Igreja ortodoxa, que segundo ele a única que
possui a verdade, declarada no credo, bem como o direito de usar as Escrituras.
Tertuliano conseguiu demonstrar para a
igreja o profundo sentido de pecado e da graça.
Tertuliano, como ninguém o havia feito
até então em seu trabalho principal chamado de “Contra Práxeas”, define
Divindade em termos que anteciparam a conclusão a que chegaria o Concílio
Niceno mais de um século depois. “Todos são de um, por unidade de substância,
embora ainda esteja oculto o mistério da dispensação que distribui a unidade
numa Trindade, colocando em sua ordem os três, Pai, Filho e Espírito Santo;
três, contudo... não em substância, mas em forma, não em poder, mas em
aparência, pois eles são de uma só substância e de uma só essência e de um
poder só, já que é dom de Deus que esses graus e formas e aspectos são
reconhecidos com o nome de Pai, Filho e Espírito Santo”. Tertuliano
descreveu estas distinções da Divindade como “pessoas”, termo que não tem a
conotação, que nos é familiar, de personalidades, mas de modos objetivos de
ser. Tertuliano deixou marcas significativas na teologia latina.
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